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Violência no Haiti: Veja a cronologia da crise de segurança no país

Primeiro-ministro anunciou que renunciará; gangues controlam grande parte da capital e ameaçam genocídio

Ricardo Gonzales Jr.
Por Ricardo Gonzales Jr.
Violência no Haiti: Veja a cronologia da crise de segurança no país
Ralph Tedy Erol/Reuters
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Manifestantes em Porto Príncipe, Haiti, em 1º de março de 2024Manifestantes em Porto Príncipe, Haiti, em 1º de março de 2024Ralph Tedy Erol/Reuters

 

O primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, anunciou sua renúncia em meio a uma grave crise de violência que assola o país há semanas, com ataques altamente coordenados de gangues contra as autoridades e instituições estatais.

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Nos últimos dias, grupos armados incendiaram delegacias de polícia e libertaram milhares de detidos de duas prisões, no que um líder de gangue descreveu como uma tentativa de derrubar o governo de Henry.

Segundo dados da ONU, as gangues controlam atualmente 80% da capital Porto Príncipe.

A onda de violência estourou enquanto Henry estava no Quênia, onde assinou um acordo de apoio a uma missão liderada pelo país africano para enviar mil agentes policiais ao Haiti para restaurar a segurança na ilha.

No entanto, a violência não é novidade para a nação que compartilha uma pequena ilha com a República Dominicana no Mar das Caraíbas.

Desde o assassinato do ex-presidente Jovenel Moïse, em 2021, o Haiti foi atingido por ondas de crime e agitação. Henry fez esforços para conter a violência, que também é um grande obstáculo à realização das eleições, mas sem sucesso.

Um relatório da ONU publicado em janeiro indicou que em 2023 o número de homicídios notificados no país aumentou 119,4% em relação ao ano anterior.

Naquele ano, foram 4.789 vítimas de homicídios, sendo 65 mulheres, 93 meninos e 48 meninas. Só em 2023, 8.081 pessoas foram vítimas de violência de gangues, incluindo mortes, feridos ou sequestros, mostram dados da ONU.

Veja a cronologia da crise de segurança no Haiti

3 de março de 2024

A tensão no Haiti havia começado alguns dias antes, quando o líder de uma das gangues, Jimmy Cherizier, também conhecido como “Barbecue” (churrasco, em português), pediu a saída de Ariel Henry.

“Pedimos à Polícia Nacional do Haiti e ao Exército que assumam a sua responsabilidade e prendam Ariel Henry. Mais uma vez, a população não é nosso inimigo; os grupos armados não são nossos inimigos. Prendam Ariel Henry para a libertação do país”, pontuou Cherizier.

“Com estas armas, libertaremos o país e estas armas mudarão o país”, adicionou.

Policiais confrontam uma gangue durante um protesto contra o governo do primeiro-ministro Ariel Henry em Porto Príncipe, Haiti, em 1º de março de 2024. / Ralph Tedy Erol/Reuters

Em resposta, e na tentativa de tentar restaurar a ordem, Henry pediu ajuda militar.

A frustração pública, que vinha crescendo contra Henry devido à incapacidade de impedir os distúrbios, explodiu depois que ele anunciou que não renunciaria, no mês passado, citando a escalada da violência.

Nos termos de um acordo anterior, Henry se comprometeu a realizar eleições e transferir o poder até 7 de fevereiro deste ano — o que não aconteceu.

No dia 3 de março, um domingo, uma série de episódios marcaram o início deste novo ciclo de violência no Haiti. Consequentemente, o governo declarou estado de emergência e toque de recolher.

Entre os casos daquele dia estão as duas fugas de prisões, uma em Porto Príncipe e uma em Croix des Bouquets, de mais de 3 mil presos, incluindo “prisioneiros perigosos”. Também houve sequestros e assassinatos.

Uma declaração do ministro das Finanças, Patrick Boivert, que atua como primeiro-ministro interino, citou a “deterioração da segurança”, especialmente na capital, Porto Príncipe, e “atos criminosos cada vez mais violentos perpetrados por gangues armadas”, como violência contra mulheres e crianças e saques.

4 de março de 2024

No dia 4 de março, uma segunda-feira, a embaixada dos Estados Unidos pediu aos cidadãos americanos que deixassem o país devido à escalada da violência, acrescentando que a embaixada funcionaria de forma limitada.

Também ressaltaram que “as operações poderão ser ainda mais afetadas durante a semana devido à violência relacionada com gangues e aos seus efeitos nos transportes e na infraestrutura.”

Por sua vez, a embaixada da França no Haiti suspendeu os serviços administrativos e de vistos: “Como medida de precaução, os serviços de vistos e de administração da França na embaixada da França em Porto Príncipe estarão fechados ao público amanhã, segunda-feira, 4 de março de 2024″, publicou o órgão no X.

Jimmy “Barbecue” Cherizier lidera marcha contra premiê Ariel Henry em Porto Príncipe, Haiti / 19/9/2023 REUTERS/Ralph Tedy Erol/Arquivo

Além disso, o presidente da República Dominicana, Luis Abinader, informou a adoção de um nível extremo de segurança na fronteira com o Haiti.

Embora o chefe de Estado não tenha revelado detalhes desse aumento da segurança nas fronteiras, alertou que qualquer prisioneiro haitiano fugitivo que entre no país terá “uma resposta drástica”.

Os militares destacados na fronteira “estão preparados para prevenir ou dissuadir qualquer incidente” que comprometa a tranquilidade da área, pontuou o ministro da Defesa, tenente-general Carlos Luciano Díaz Morfa.

5 de março de 2024

Nesse dia, o premiê Ariel Henry desembarcou em Porto Rico, confirmou Sheila Angleró Mojica, secretária de imprensa de Porto Rico, à CNN, encerrando dias de especulações sobre seu paradeiro.

A onda de violência eclodiu enquanto Henry estava no Quênia, e a última aparição pública do primeiro-ministro havia sido no dia 1º de março, uma sexta-feira, antes de chegar a Porto Rico.

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse estar “profundamente preocupado” com a rápida deterioração da segurança e o seu impacto na população civil, afirmou o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.

Além disso, o líder de gangue Jimmy Cherizier, conhecido como “Barbecue” (churrasco, em português), enviou um aviso, advertindo que se o primeiro-ministro do Haiti permanecesse no poder “o país sofrerá genocídio”.

Jimmy “Barbeque” Cherizier, membro de uma gangue que tenta derrubar o governo do Haiti / 05/03/2024 REUTERS/Ralph Tedy Erol

“Se Ariel Henry não renunciar, se a comunidade internacional continuar a apoiar Ariel Henry, eles nos levarão diretamente a uma guerra civil que terminará em genocídio”, disse Cherizier à Reuters.

“A comunidade internacional, especialmente os Estados Unidos, o Canadá, a França e o Grupo Central, serão responsáveis ​​por todos aqueles que morrem no Haiti”, complementou.

Cherizier, um ex-policial, disse que as gangues estão lutando para remover Henry “o mais rápido possível”.

“Então começaremos a lutar contra o sistema atual, para ter o país que queremos, um Haiti com empregos para todos, um Haiti com segurança, um Haiti com educação gratuita, um Haiti sem discriminação social, onde todas as pessoas possam alcançar o posicionar o que querem”, sustentou.

Por fim, os Estados Unidos pediram a Henry que promovesse “um processo político que conduza ao estabelecimento de um conselho presidencial de transição que conduza a eleições”, informou a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield.

“Acreditamos que é urgente avançar nessa direção e iniciar o processo para devolver a normalidade ao Haiti”, adicionou.

11 de março de 2024

O primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, anunciou que renunciará, ação que foi anunciada pelos líderes regionais do bloco Caricom, após semanas de caos crescente no país caribenho.

O assessor Jean Junior Joseph confirmou a demissão de Henry em declarações à CNN, mas sublinhou que só deixará o cargo quando for formado um novo governo interino.

O líder da Guiana e atual presidente da Caricom, Irfaan Ali, anunciou na noite de segunda-feira (11), em uma entrevista coletiva, que Henry renunciará “após o estabelecimento de um conselho presidencial de transição e a nomeação de um primeiro-ministro interino”.

 

FONTE/CRÉDITOS: Da CNN
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